Um viveiro de mudas de espécies nativas da mata atlântica começou a ser desenvolvido pelo Movimento Sem Terra Leste 1, em parceria com o Taubman College da Universidade de Michigan. O lançamento do projeto foi na tarde deste sábado, 7 de maio, no terreno onde se localizam os mutirões de habitação popular Jerônimo Alves, Dorothy Stang e Martin Luther King, no Parque São Rafael, em São Paulo.

O viveiro está sendo projetado com o objetivo de direcionar suas mudas para a recuperação ambiental de APP (Área de Preservação Permanente) localizadas próximo a projetos de habitação popular. E, à medida que ganhar fôlego, poderá também servir como apoio na arborização urbana de outros mutirões da cidade e iniciar a venda de mudas como negócio social.

Para a idealização do viveiro e manejo das mudas, o movimento de moradia conta com uma consultoria ambiental que tem orientado o início das atividades, a Rumos Sustentabilidade – Consultoria Socioambiental. A equipe também fará o acompanhamento durante o replantio das mudas em outros terrenos. Todo o trabalho será feito em mutirão com as famílias sem teto. 

Moradia e preservação ambiental

É interessante observar que praticamente todos os empreendimentos de habitação popular têm que fazer recuperação ambiental por estarem localizados próximo a rios e nascentes. Isso porque, a especulação imobiliária, regida a grandes interesses do capital privado, faz com que empreiteiras busquem terrenos localizados em outras áreas, deixando para famílias de baixa renda a ocupação de terrenos mais afastados como alternativa habitacional. 

No entanto, na contramão da urbanização desigual e na atenção para o meio ambiente, o movimento de moradia mostra, com a iniciativa do viveiro, que é possível (e urgente) pensar uma  trajetória habitacional para a cidade que faça a construção de novas moradias em consonância com o meio ambiente. Afinal, aumentar o número de áreas verdes seguras e garantir a preservação de áreas permite equilibrar territórios e auxilia na construção de cidades mais sustentáveis, resilientes, includentes e solidárias e enfrentam o fenômeno das ilhas de calor das cidades.

Movimento Sem Terra Leste 1

O Movimento Sem Terra Leste 1 é filiado à União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM-SP). É um movimento criado em 1987 com o objetivo de garantir o direito à terra e moradia às famílias de baixa renda de parte da Zona Leste de São Paulo, a partir das lutas intensas na década de 80 nessa região. 

A Leste 1 é formada por mais de 30 grupos, localizados em diferentes bairros, e é a porta de entrada para as famílias que desejam participar da luta por moradia e dignidade humana.

Veja repercussão no SPTV2:

Fotos da inauguração: