União dos Movimentos de Moradia
– São Paulo

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Poesia: Onde é que você mora?

Moro na transversal do tempo,  na esquina do mundo,

Olhando a intergaláctica possibilidade de delirar…

Sonhando com direitos, delírios e delicias  em atuar

No  comedido espaço de respirar…

 

Moro no coração dos libertários que sonham em  revolucionar..

Na ponte entre o ser e o ter que atuar

Lutando ate o dia do motim daqueles que olham sem coragem de gritar,

Só ouvindo os cães ladrarem e olhando  a caravana passar…

 

Moro no lugar onde muro e quintal não tem fronteiras…

Onde   telhado não há e o   céu é o limite,

Onde  o grito atinge o infinito;

Onde as pessoas   vivem para amar…

 

Moro onde sou caçador de mim em busca de

ser o  pensamento de existir para mudar…

Moro onde se sente sem se ver;

Onde se é o São Jorge do  seu próprio Dragão,

Onde há liberdade  da prisão do seu próprio jardim…

Onde ser incendiário das paixões  não é ser  o bombeiro das possibilidades…

 

Moro na praia ou no campo, no alto ou  no baixo, na curva ou  na reta…

Moro onde se jogam flores para quem não venceu,   tentou e chorou…

Chorou, não pela frustração de ter perdido a disputa,

mas pela felicidade de ter participado dela…

 

Moro onde  somos  mais que humano,

onde ser simples e ser chic;

Onde ser/estar não é uma tese filosófica,

mas sim uma pratica do ser no tempo e no espaço

entre a construção e a desconstrução  entre o tudo e o nada.

 

Moro onde  não mora ninguém e todos tem um só sonho:

o de brilhar enquanto luz, sabendo que movimento é vida,

onde o círculo e as espirais são a própria essência da vida e do holismo….

Moro onde se descartam as retas,

sem  tolas preocupações com começo, meio ou fim,

ad infinitum…