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Estudo revela mecanismos de expansão das periferias de cidades

Uma pesquisa desenvolvida pelos urbanistas Paula Santoro, do Instituto Pólis, e Nabil Bonduki, professor da FAU-USP concluiu que a valorização do uso do solo que vai para o bolso dos empreendedores/proprietários é maior nos loteamentos irregulares, uma vez que os custos de implantação de infra-estrutura são repassados ao poder público. 

A pesquisa apontou, ainda, que a abertura desses loteamentos está intimamente relacionada aos poderes políticos, que muitas vezes são parte pessoalmente interessadas na expansão das cidades. 

O artigo, que busca influenciar no debate sobre a revisão da lei de parcelamento do solo, foi divulgado no último encontro nacional da Anpur (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional), no fim de maio, em Florianópolis. A segunda fase pesquisa ainda está em andamento e deve ser concluída em janeiro de 2010. 

O trabalho buscou bases empíricas para avaliar se ocorre de fato uma supervalorização no preço das terras rurais, quando ela passa a ser considerada de uso urbano, seguindo a expansão das cidades. 

“Um dos diferenciais da pesquisa é estudar como se dá a expansão nas cidades médias e pequenas, que crescem com expansão urbana sobre áreas rurais, na contra-mão do debate sobre o urbano que vem se concentrando mais fortemente sobre áreas metropolitanas e cidades grandes, onde a valorização da terra dá-se também por processos de verticalização” afirma Paula Santoro. 

As cidades estudadas foram Suzano, São Carlos e Catanduva, todas no interior de São Paulo, escolhidas por suas características distintas: formação metropolitana, diversidade na expansão periférica e a cultura da cana nas franjas urbanas, respectivamente. 

A hipótese era a de que a valorização mais acelerada da terra acontecia quando ele tinha a mudança de uso rural para urbano. A investigação mostrou que, nos casos apurados, a valorização é muito diferente nos loteamentos estudados e variou de 60% a 360% considerando os dois primeiros anos de implantação do loteamento e diferentes tipos de loteamentos – mais rentável que diversas aplicações financeiras, embora não tenha conseguido estabelecer comparações com as outras fases do uso do terreno para comprovar a premissa.

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